quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sobre felicidade....

Felicidade clandestina
Clarice Lispector


Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade". Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia. Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte"com ela ia se repetir com meu coração batendo. E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. As vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados. Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer. Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. As vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.


Obs: Um dos contos do livro Felicidade Clandestina da Clarice

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Caso queiram acessar também meu orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Home

Mais uma imagem do trabalho do "Jeff"

Produção de uma imagem referente a Jeffrey Smart

Essa foi a primeira imagem sem interferências:



Esta foi a imagem trabalhada:
1- Dentre as tendências apresentadas no texto, escolha um artista que tenha desenvolvido sua poética em diálogo com o tema cidade.

Bom, o artista escolhido foi Jeffrey Smart
Jeffrey Smart (nascido em 1921, em Adelaide), é um expatriado pintor brasileiro, que é conhecida por suas representações modernistas da paisagem urbana.Ele considera pintores abstratos como pessoas que nunca aprenderam a desenhar. Smart trabalha principalmente com tintas de óleo, acrílico e aquarela, em geral, usando as cores primárias em negrito - amarelo, azul e vermelho cinza - escuro e de seu céu. Isso cria um efeito incomum em suas obras como o primeiro plano de suas pinturas são totalmente iluminado, apesar do céu escuro.
Seu estilo de pintura é um longo e árduo, resultando em apenas uma dúzia de telas acabados por ano. "Eu sempre faço um monte de desenhos preliminares, movendo-se as formas, as sombras, os edifícios dos valores em torno da tela até que eu chegue a composição perfeita ..."
Smart é um dos artistas mais conhecidos da Austrália com sua aparência quase icónico e único, com forte influência de vários artistas e formas de arte também. Apesar de inteligente não é um pintor prolífico, suas obras são reconhecido internacionalmente e muito elogiado. Seus retratos austeros da vida contemporânea, realista e absurdo, têm sido a base de muitas discussões artísticas.



Smart trabalha com figuras solitárias na paisagem urbana, nos seus trabalhos ele emprega as considerações tradicionais de composição e técnica. Suas obras ilustram a relação entre o homem e o ambiente.

Carta para uma amiga sobre minha cidade- Anápolis Go

Olá Patrícia

Sou suspeita pra falar de Anápolis, pois moro aqui desde 1987 acho minha cidade linda,o povo é educado e acolhedor. Anápolis é uma cidade grande com cara de interior, com grandes potencialidades, quem ainda não conhece precisa conhecer é um lugar seguro pra viver Anápolis é aconchegante, simples, gostosa para morar, e é de clima agradável.
Preserva hábitos de cidades de interior tais como, pedir açúcar emprestado para a vizinha, cumprimentar algumas pessoas que passam por você na calçada, na rua, na sala de espera do hospital. No dia de eleição, todos voltam aos mesmos lugares onde sempre votaram e encontram as mesmas pessoas que não víamos a tempos, acho bom isso aqui!!!
Tem, desfile nos dias cívicos, procissão nos dias “santos”, quermesse, São João, violeiros, catireiros apresentando nas praças, tem o” homem da cobra” na praça onde as pessoas se aglomeram pra ver ele fazer alguma mágica e tirar uma cobra de dentro de um cestinho pra logo depois falar do tal “xarope milagroso” que cura tudo, ah, tem os “mascates” que batem a sua porta vendendo de tudo, também acho “fofo”as senhoras fazendo “novenas” nas casas das colegas e logo depois servirem os chazinhos com sequilhos e biscoitos de queijos. As senhorinhas quando se encontram têm tantos assuntos pra falarem, mais percebi que o que elas gostam mesmo é da “competição” de quem tem mais problemas de saúde. Tudo isso são aspectos que também me deixam apaixonada por esse lugar!!!
Sabe Patrícia, poderia ficar horas falando da minha cidade das pessoas dela pra você, mais como tenho que ser sucinta deixo aqui as minhas impressões mais básicas sobre ela.
Abraços

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

SOBRE BLOGS

Adoooooro Blogs....
O blog é um site com uma estrutura que nos possibilita fazer atualizações rápidas com novas postagens ou os chamados posts
Existem disponível sites especializados (blogspot...) oferecem
também gratuitamente o serviço de hospedagem de seus blogs.
Os blogs podem conter informações tais como, comentários, notícias sobre os mais variados assuntos direcionando-os a comunidades específicas de usuários ou a qualquer público em geral. Num blog podemos combinar textos, imagens (fixas e em movimento), sons e links para outras páginas da internet relacionadas a seu tema. A maioria dos blogs oferecem a possibilidade do visitante deixar comentários e assim interagir com o autor e com outros visitantes.
Geralmente o blog costuma ser um ambiente bastante pessoal onde você pode expressar duas idéias de forma mais espontânea e sem a preocupação de cumprir algumas formalidades. Um blog serve ainda para divulgar seu trabalho, sua arte, produtos ou serviços. O caráter democrático dos blogs permite a cada indivíduo ter seu próprio espaço na rede internet para difundir idéias e criar conexões. O Blog hoje é uma das ferramentas indispensáveis como fonte de informação e entretenimento.


Atualmente existem cerca de 112 milhões de blogs e cerca de 120 mil são criados diariamente, de acordo com o estudo State of Blogosphere. No dia 31 de agosto, comemora-se o Dia do Blog http://pt.wikipedia.org/wiki/Blog